
Nova usina de etanol da Be8 em Passo Fundo: indústria, agronegócio e novas oportunidades
Passo Fundo está recebendo um dos maiores investimentos industriais de sua história. A nova planta de etanol da Be8, em construção às margens da BR-285, integra produção de biocombustível, processamento de cereais de inverno, produção de glúten vital, geração de energia e aproveitamento de CO₂, criando uma nova conexão entre o agronegócio, a indústria e o setor de energia.
Com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão, o empreendimento estava com aproximadamente 80% das obras concluídas em agosto de 2026.
Naquele momento, a empresa informou que a produção deveria começar em março de 2027.
Uma indústria de R$ 1,5 bilhão
O projeto ocupa uma área total de aproximadamente 80 hectares, com cerca de 45 hectares de área construída.
A planta foi projetada para processar aproximadamente 525 mil toneladas de cereais por ano, incluindo trigo, triticale e milho.
A capacidade anual projetada inclui:
- 210 milhões de litros de etanol;
- 153 mil toneladas de DDGS, utilizado principalmente na alimentação animal;
- 27 mil toneladas de glúten vital.
O projeto também prevê captura e aproveitamento de CO₂ e geração de energia dentro do complexo industrial.
O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, destacou a integração entre diferentes produtos:
“Eu tenho dito que não é uma fábrica e sim um parque fabril que vai abrigar quatro fábricas e produzirá alimento humano (glúten vital), energia renovável (etanol) e alimento animal (farelo).”
A declaração ajuda a compreender a lógica do projeto: integrar diferentes produtos dentro de uma mesma cadeia industrial.
A primeira grande planta de etanol de cereais do Rio Grande do Sul
Um dos aspectos mais relevantes do empreendimento é a matéria-prima.
A planta de Passo Fundo foi projetada para utilizar cereais como trigo, triticale e milho, criando uma alternativa industrial para culturas de inverno e ampliando as possibilidades de agregação de valor à produção agrícola regional.
A Be8 também desenvolveu, em parceria com empresas de genética e pesquisa, cultivares de trigo destinadas às características necessárias ao processo industrial.
A capacidade projetada de produção de etanol poderá representar aproximadamente 20% da demanda do Rio Grande do Sul, segundo dados apresentados pelo BNDES.
Isso cria uma nova alternativa comercial para produtores de cereais de inverno.
O impacto começa antes da usina entrar em operação
O efeito econômico do empreendimento não começa somente quando o primeiro litro de etanol for produzido.
Durante a implantação, a Be8 informou diferentes estimativas de geração de empregos conforme o avanço das obras. Em uma atualização divulgada em 2026, a empresa havia indicado a geração de mais de 1.300 empregos durante a implantação e aproximadamente 175 empregos diretos na operação.
Além dos empregos diretamente ligados à indústria, o projeto movimenta uma cadeia maior, envolvendo construção civil, transporte, manutenção industrial, engenharia, automação, tecnologia, alimentação, hospedagem, serviços profissionais, logística e capacitação.
Battistella também destacou essa relação entre a expansão industrial e a economia local:
“Assim como em toda a história da Be8 em Passo Fundo, o crescimento da empresa se reflete diretamente em ganhos na comunidade local e também benefícios em desenvolvimento da economia regional e geração de empregos.”
Uma nova demanda para a agricultura gaúcha
A usina cria uma nova demanda industrial para cereais produzidos no Rio Grande do Sul, especialmente trigo e triticale.
Em agosto de 2026, a Be8 informou que já possuía uma área próxima de 50 mil hectares plantada e cultivada em parceria com produtores do Estado para atender ao projeto.
Isso pode estimular investimentos em:
- Sementes e melhoramento genético;
- Armazenagem;
- Transporte de grãos;
- Assistência técnica;
- Máquinas e equipamentos agrícolas;
- Tecnologia para agricultura;
- Contratos de fornecimento;
- Pesquisa e desenvolvimento.
Para Passo Fundo, que já possui forte ligação com o agronegócio e com a pesquisa agropecuária, a nova indústria amplia a integração entre produção rural e transformação industrial.
Do grão a vários produtos
Outro diferencial do projeto é que o cereal não será utilizado exclusivamente para produzir combustível.
O processo industrial também gera DDGS, um coproduto destinado principalmente à alimentação animal.
Além disso, a unidade produzirá glúten vital, ingrediente utilizado pela indústria de alimentos.
Segundo a Be8, a nova unidade foi concebida para produzir glúten vital em escala industrial no Brasil, com potencial para substituir a dependência de importações desse insumo.
Na prática, um mesmo fluxo de matéria-prima passa a gerar diferentes produtos e mercados.
É uma lógica de agregação de valor: em vez de comercializar somente o cereal, parte de seu valor econômico passa a ser incorporada dentro da própria cadeia industrial.
Oportunidades para Passo Fundo
O impacto potencial da nova usina pode ser observado em diferentes níveis.
1. Agronegócio
A criação de uma grande demanda industrial por trigo e outros cereais de inverno pode estimular investimentos em produtividade, genética, tecnologia e armazenagem.
2. Logística
A localização próxima à BR-285 favorece o transporte de matérias-primas e produtos industrializados.
O DNIT também aprovou um trevo de acesso à usina, projetado para organizar o fluxo de veículos relacionados ao empreendimento.
3. Serviços e fornecedores
A operação de uma indústria desse porte demanda manutenção, transporte, tecnologia, equipamentos, serviços especializados, alimentação, segurança, limpeza, capacitação e diversos outros fornecedores.
Isso cria oportunidades tanto para empresas já estabelecidas quanto para novos negócios.
4. Formação profissional
A Be8 informou que trabalha com instituições de ensino para desenvolver cursos de formação técnica e aperfeiçoamento profissional voltados às necessidades da nova indústria.
Esse movimento pode ampliar a oferta de profissionais especializados em automação, processos industriais, manutenção, química, elétrica, mecânica e outras áreas.
5. Energia
A unidade foi projetada para integrar produção industrial e geração de energia, além de prever captura e aproveitamento do CO₂ produzido durante o processo.
O que isso pode representar para a economia de Passo Fundo?
É importante separar dados já anunciados de projeções.
O investimento de R$ 1,5 bilhão, a capacidade produtiva e o volume de processamento são dados divulgados pelas fontes citadas.
Já o impacto futuro sobre PIB municipal, arrecadação, renda e número total de empregos indiretos ainda depende da operação efetiva da indústria e dos encadeamentos que serão formados.
Em agosto de 2026, o presidente da Be8 afirmou que as estimativas sobre o impacto no PIB de Passo Fundo ainda estavam sendo calculadas.
Por isso, não é adequado atribuir hoje um valor específico de aumento do PIB como se fosse um resultado confirmado.
O que já pode ser identificado é a dimensão da cadeia potencial:
525 mil toneladas de cereais → processamento industrial → aproximadamente 210 milhões de litros de etanol + 153 mil toneladas de DDGS + 27 mil toneladas de glúten vital + aproveitamento de CO₂ e energia.
Isso significa uma nova conexão entre produtores rurais, transportadores, indústria, fornecedores, centros de pesquisa, profissionais especializados e mercados consumidores.
Uma nova etapa da industrialização de Passo Fundo
A chegada da usina também ajuda a contar uma transformação mais ampla da economia local.
Passo Fundo historicamente construiu sua importância regional a partir do comércio, dos serviços e do agronegócio. Ao longo das décadas, passou a reunir saúde, educação, indústria, logística, tecnologia e inovação.
A nova planta acrescenta outra camada a esse processo: a transformação industrial de matérias-primas agrícolas em produtos de maior valor agregado.
É uma mudança que aproxima três elementos importantes da economia regional:
Produção agrícola + conhecimento + indústria.
A visão de Passo Fundo sobre o empreendimento
O prefeito Pedro Almeida também relacionou o projeto à economia local e à capacidade de atração de investimentos da cidade.
Em 2024, ao reafirmar o protocolo de intenções entre o Município e a Be8, declarou:
“A Be8 tem uma relação concreta com a cidade e com estes números, é uma indústria daqui com a atuação reconhecida em todo o mundo, comprometida com o futuro, com o agronegócio, com o meio ambiente e gerando riquezas e também empregos e oportunidades.”
A declaração registra a perspectiva institucional do Município sobre o empreendimento.
Curiosidades sobre o projeto
A usina não produzirá apenas etanol. O complexo terá também produção de glúten vital e DDGS, além da captura e aproveitamento de CO₂.
O projeto processará cerca de 525 mil toneladas de cereais por ano, incluindo trigo, triticale e milho.
A capacidade projetada chega a 210 milhões de litros de etanol por ano.
A planta poderá produzir etanol anidro ou hidratado, permitindo diferentes aplicações do combustível.
O complexo possui aproximadamente 80 hectares de área total e 45 hectares de área construída.
O projeto recebeu R$ 729,7 milhões em financiamento do BNDES, incluindo recursos do programa BNDES Mais Inovação.
Um novo capítulo para Passo Fundo
A nova usina de etanol representa mais do que a instalação de uma grande indústria.
Ela cria uma nova demanda para a agricultura, amplia a transformação de matérias-primas dentro da região, movimenta fornecedores e serviços, exige profissionais especializados e conecta Passo Fundo a mercados de energia, alimentos e nutrição animal.
O impacto completo ainda será conhecido depois que a unidade entrar em operação e os efeitos sobre produção, empregos, renda, arrecadação e fornecedores puderem ser medidos.
Mas uma transformação já está em andamento:
Um grão produzido no campo passa a ter a possibilidade de gerar combustível, alimento, proteína animal e energia dentro de uma mesma cadeia industrial.
E esse é um dos movimentos que ajudam a explicar como Passo Fundo está ampliando seu papel como polo de produção, conhecimento, indústria e negócios no Norte do Rio Grande do Sul.
Onde fica
A nova planta da Be8 está sendo construída às margens da BR-285, em Passo Fundo (RS), com acesso rodoviário específico aprovado pelo DNIT para atender ao fluxo de veículos relacionados à operação da indústria.



